Cheiro no ar: citronela
O assassino fechou a porta, estavam enfim sozinhos. Nenhum dos dois preocupou-se com o quarto. Abraçaram-se.
A corista o beijou na boca, com língua, saliva e um pouquinho de gim. Ele adorou e para sua surpresa, quis mais e muitos, quantos pudesse ter. Pensou em desabotoar o vestido, mas antes abraçou-a com força e teve medo. Chegou a apoiar a cabeça no ombro da corista que lhe acariciou os cabelos devagar.
Ela o beijou mais uma vez: sua língua macia e molhada.
O assassino respirou fundo e lentamente.
Você sabe fingir de morta? Eu preciso que você morra. Consegue fazer isso? Consigo, ela não hesitou. Mas consegue fingir de verdade?, ele insistiu. E se eu não conseguir? Aí, eu vou ter que matar você. Fez-se um pequeno silêncio…. E se eu conseguir? O assassino não respondeu, mas sorriu e ela…sorriu de volta, seu sorriso mais bonito, ele achou.
E a corista que sempre sonhou em ser um atriz de verdade, com verdade morreu, nos braços do assassino. Ao amante da morte coube amá-la, mais vivo do que nunca. Afinal, ninguém morrera pra ele antes, com tanta boa vontade.
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